O Campo Grande representa 11,0% da população de Campinas — 125.044 pessoas. O IBGE liberou os microdados do Censo 2022 em 31 de agosto de 2026, e só desde então dá para ler o Censo no detalhe do território. A Casa Hacker pediu ao IBGE os microdados da amostra, reuniu os 256 setores censitários do distrito, cruzou amostra com universo e deu nome de bairro a 249 deles usando o CNEFE, formando 43 localidades.
A pesquisa mostra que a internet chegou onde o diploma ainda não chegou: 90,0% dos domicílios têm internet (contra 92,0% em Campinas), mas só 8,4% das pessoas de 25 anos ou mais têm superior completo (contra 29,8% na cidade). A renda domiciliar per capita mediana é de R$ 1.067, contra R$ 1.750 em Campinas, e 60,4% dos domicílios vivem com até um salário mínimo per capita, contra 34,7% na cidade. Dentro do próprio Campo Grande, a desigualdade também tem geografia: nos 47 setores em favela ou comunidade urbana (20.351 pessoas, 16,3% do distrito), a renda mediana de quem responde pelo domicílio é 24% menor que no resto do território.
Na cor ou raça, o retrato é outro. Em Campinas, a renda domiciliar per capita mediana de pessoas brancas é R$ 1.925, contra R$ 1.212 de pessoas pretas. No Campo Grande, essa distância quase desaparece — R$ 1.000, R$ 837 e R$ 906 entre pessoas brancas, pretas e pardas —, porque o território já comprime todo mundo para baixo.
No Varal dos Números, esses dados vão para a corda, em estações, e o grupo lê o próprio território com três perguntas: o que você está vendo aqui, isso bate com o que você vive, o que este número não está contando. Discordar do dado é contribuição. É diálogo, debate e troca de experiências entre lideranças, moradores e entidades.
Dia 26 de outubro (segunda-feira), das 18h às 21h15, com credenciamento a partir das 17h50 e intervalo para café, na R. Ondina Moreno de Lima, 546 — Mezanino, Jardim Liliza, Campinas.
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