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Comunicação

Comunicação em construção: o que aprendemos ao levar nosso desafio ao Fórum de Comunicação do Terceiro Setor

O que a experiência no Fórum de Comunicação do Terceiro Setor trouxe para a construção da Comunicação da Casa Hacker

Vitor Coelho

Gerente de Comunicação

Beatriz Romanello

Assistente de Comunicação

publicado 30 de setembro de 2026tempo de leitura ~8 min
Capa de uma apresentação da Casa Hacker intitulada “[comunicação] Estratégia e posicionamento institucional”, com o subtítulo “Conectando projetos, pessoas, metodologias e impacto”. À direita, há uma fotografia de duas jovens em um ambiente urbano, uma delas segurando um celular verde.

Em agosto, a Casa Hacker participou do Fórum de Comunicação do Terceiro Setor, realizado pela Fundação FEAC. O encontro reuniu organizações da sociedade civil para compartilhar experiências, discutir desafios e pensar, coletivamente, caminhos para a comunicação no terceiro setor.

Fomos uma das organizações convidadas a apresentar nossa estrutura de Comunicação e abrir o processo para discussão com o grupo.

Para nós, a participação aconteceu em um momento especialmente importante: a Comunicação da Casa Hacker está sendo estruturada ao mesmo tempo em que a própria organização passa por uma transformação na sua forma de atuar. Foi esse processo que levamos para a conversa.

A pergunta que orientou nossa apresentação foi simples de formular, mas difícil de responder:

Como estruturar a Comunicação de uma OSC para que ela deixe de apenas comunicar seus projetos e passe a comunicar também seu posicionamento, suas metodologias e o ecossistema que está construindo?

Uma organização em transformação

A Casa Hacker nasceu em 2018, em Campinas, e foi constituída como associação em 2019, com atuação voltada à educação STEAM, inovação social e inclusão digital. Ao longo dos anos, essa atuação se desenvolveu por meio de diferentes projetos, parcerias e iniciativas nos territórios. Hoje, são 8 projetos, organizados em três frentes:

  • Inovação Social

  • Educação STEAM

  • Políticas Públicas

Três frentes que, juntas, formam uma única estratégia institucional.

Agora, a organização está construindo um novo modelo de atuação: um ecossistema orientado pelas necessidades dos territórios periféricos, conectando diferentes atores por meio de um propósito comum e compartilhando conhecimentos, recursos e responsabilidades.

Essa mudança também transforma a pergunta que fazemos sobre Comunicação. Se antes era possível pensar principalmente em como comunicar cada projeto, cada parceria ou cada atividade, o novo momento exige uma leitura mais ampla. São diferentes projetos, pessoas, metodologias e experiências acontecendo simultaneamente, e a questão passou a ser como fazer com que tudo isso também conte uma história sobre a própria Casa Hacker. Foi a partir dela que estruturamos nossa apresentação para o Fórum.

Slide da apresentação da Casa Hacker exibido durante uma reunião virtual do Fórum de Comunicação do Terceiro Setor. O conteúdo apresenta a comunicação conectada aos projetos da organização, divididos entre as frentes de Inovação Social e Educação STEAM. Ao lado, aparecem os participantes da reunião por videoconferência. Slide durante a apresentação da Casa Hacker no Fórum de Comunicação do Terceiro Setor.

A Comunicação começa antes do conteúdo

Uma das coisas que estamos aprendendo nesse processo é que a Comunicação não começa quando chega a hora de produzir um post. Ela começa no acompanhamento do que está acontecendo.

Hoje, a área é formada por três pessoas com funções que se complementam:

  • Vitor Coelho, responsável por gestão e estratégia

  • Beatriz Romanello, responsável por comunicação e conteúdo

  • Helen Camilo, responsável pela comunicação do projeto Quebrada em Movimento

Esse desenho se traduz em quatro frentes de trabalho:

  • Estratégia: plano de comunicação, posicionamento e planejamento editorial
  • Conteúdo: redes sociais, Publicações, fotografia, vídeo e as narrativas dos projetos
  • Relacionamento: acompanhamento dos projetos, assessoria de imprensa, parceiros e patrocinadores
  • Institucional: materiais impressos, identidade visual, aprovações com parceiros e gestão orçamentária da comunicação

A equipe mantém reuniões de acompanhamento com os projetos e, a partir delas, organiza briefings mensais para entender o andamento das iniciativas, identificar pautas, coberturas, histórias e oportunidades de comunicação. Esse processo alimenta as quatro frentes ao mesmo tempo, do planejamento estratégico da área até a assessoria de imprensa e os materiais institucionais.

Essa proximidade é importante porque os projetos são quem produzem a experiência, o conhecimento e as transformações que queremos comunicar. Cabe à Comunicação estar próxima o suficiente para compreender esse contexto e, a partir dele, construir narrativas que façam sentido para diferentes públicos. É uma relação de mão dupla: a Comunicação precisa ouvir o que acontece nos projetos, mas também trazer seu próprio olhar sobre aquilo que está acontecendo.

Do registro ao aprendizado

Um dos exemplos desse movimento está nas Publicações da Casa Hacker.

Durante muito tempo, uma parte importante da comunicação institucional esteve concentrada em registrar atividades: o que aconteceu, onde aconteceu, quem participou e quais foram os resultados imediatos. Esse registro continua sendo necessário, mas começamos a perceber que existe outra camada de informação que também precisa circular: o que aprendemos com aquilo que aconteceu.

Perguntas como estas passaram a orientar esse olhar:

  • Quais conhecimentos foram produzidos?

  • O que uma experiência em um território revela sobre uma questão maior?

  • Que metodologia foi testada, o que funcionou, o que precisou ser adaptado?

  • O que pode ser compartilhado com outras pessoas e organizações?

É por isso que estamos tentando transformar as Publicações em um espaço de aprofundamento, saindo de uma lógica de apenas registrar o que aconteceu para também contar o que aprendemos. Esse movimento muda a função do conteúdo: ele deixa de ser apenas uma forma de dar visibilidade às atividades e passa a ser também uma maneira de organizar e compartilhar o conhecimento produzido pela própria organização.

A pergunta que levamos para o Fórum

Foi nesse contexto que chegamos a uma provocação que acabou se tornando o centro da nossa apresentação:

Estamos conseguindo comunicar o que acontece. Mas estamos conseguindo comunicar o que a Casa Hacker está se tornando?

A pergunta não parte da ideia de que encontramos uma resposta. Pelo contrário, ela representa um desafio que ainda está sendo construído. A Casa Hacker tem muitas coisas para comunicar: projetos, territórios, pessoas, parceiros, resultados, metodologias e histórias. Mas comunicar a existência dessas iniciativas não significa, necessariamente, comunicar a identidade que conecta todas elas. Foi esse espaço entre comunicar atividades e construir uma narrativa institucional que levamos para a conversa.

O que a troca nos trouxe

O encontro aconteceu de forma online e dividiu os participantes em grupos menores para comentar os cases apresentados. Fomos uma das organizações que apresentou seu case para o grupo.

Profissionais da Avanti Marketing acompanharam nosso grupo como especialistas convidados e trouxeram uma leitura de fora sobre o momento que estamos vivendo: para eles, o investimento em estruturar um Plano de Comunicação, em vez de correr direto para a produção de conteúdo, é exatamente o caminho que uma organização nesse estágio deveria seguir.

O encontro reservou ainda uma surpresa. Isabel Barbosa, uma das fundadoras da Casa Hacker que hoje não integra mais a organização, estava na mesma sala. Reencontrar o trabalho que ajudou a começar, agora em outra escala e com uma estrutura de Comunicação que na época ainda não existia, foi um lembrete de que a organização que ela ajudou a fundar cresceu na direção certa.

A conversa trouxe contribuições e novas provocações para pensar o trabalho que estamos desenvolvendo, entre elas discussões sobre como ampliar os espaços e formatos utilizados pela Comunicação, como transformar experiências dos projetos em narrativas institucionais e como fazer com que a comunicação acompanhe as mudanças que acontecem dentro da organização.

Uma das principais aprendizagens que levamos do encontro é que esse olhar da Comunicação precisa ser construído sem se afastar dos projetos. Pelo contrário: quanto mais próxima estiver das equipes e das experiências nos territórios, maior é a possibilidade de compreender o que realmente está acontecendo. Mas essa proximidade não significa apenas reproduzir aquilo que os projetos dizem. Existe um trabalho próprio de comunicação: contextualizar, identificar conexões, reconhecer aprendizados e encontrar formas de fazer com que diferentes públicos compreendam aquela experiência.

Construir enquanto a organização também se transforma

O Fórum também nos ajudou a perceber que o desafio da Comunicação não pode ser separado do momento institucional da Casa Hacker.

Estamos desenvolvendo um Plano de Comunicação, com conclusão prevista para novembro, que parte de:

  • Diagnóstico

  • Públicos

  • Posicionamento

  • Estratégias

  • Canais e narrativas

  • Indicadores

Mas esse plano não está sendo construído sobre uma organização estática: ele acompanha uma organização que está revendo sua forma de atuar, fortalecendo metodologias, conectando diferentes iniciativas e construindo um ecossistema.

Por isso, estruturar a Comunicação também significa criar processos capazes de acompanhar essa transformação. Não se trata apenas de decidir o que publicar ou qual canal utilizar, mas de entender o que precisa ser comunicado, para quem, por quê e a partir de qual perspectiva.

O que fica depois do Fórum

Participar de um espaço de troca como esse foi importante justamente porque ainda estamos no meio do processo. Não levamos ao Fórum uma fórmula pronta. Levamos uma questão real, construída a partir do trabalho que estamos fazendo, e voltamos com novas perguntas para continuar esse trabalho.

Talvez esse seja um dos principais aprendizados: em uma organização que está mudando, a Comunicação também precisa estar em movimento. Comunicar o que fazemos continua sendo fundamental, mas existe uma outra tarefa em construção: ajudar a tornar visíveis as conexões entre os projetos, os conhecimentos produzidos, as metodologias desenvolvidas e o propósito que orienta a Casa Hacker.

No fim, a pergunta que levamos para o Fórum continua aberta:

Estamos conseguindo comunicar o que acontece. Mas estamos conseguindo comunicar o que a Casa Hacker está se tornando?

É a partir dela que seguimos construindo.

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Como citar esta publicação

Se você usar este texto em trabalho acadêmico, jornalístico ou em outra publicação, peço a gentileza de incluir a citação completa:

COELHO, Vitor; ROMANELLO, Beatriz. Comunicação em construção: o que aprendemos ao levar nosso desafio ao Fórum de Comunicação do Terceiro Setor. Campinas: Associação Casa Hacker, 2026. Disponível em: https://casahacker.org/publicacoes/comunicacao-em-construcao-o-que-aprendemos-ao-levar-nosso-desafio-ao-forum-de-comunicacao-do-terceiro-setor/. Acesso em: 30 set. 2026.

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