Janaína, liderança do projeto, colaboradores e alunos durante uma aula de Libras.
O projeto Libras, o idioma da inclusão, foi apoiado pelo Hub Quebrada em Movimento através do Edital Fundo de Cidadania Ativa, para o território do Campo Grande. A liderança Janaína Oliveira, levou para suas aulas o ensino básico da linguagem de sinais, junto de intérpretes e palestrantes na realização de 4 encontros às sextas-feiras, 21 e 28 de agosto, 4 e 11 de setembro, na Casa de Cultura Itajaí.
Janaína é pedagoga, pós-graduada em Libras e atualmente cursa sua segunda graduação em Letras-Libras. Criou o projeto com o intuito de ensinar e incentivar pessoas da periferia com a língua de sinais, e mais amigos para sua filha surda, promovendo a inclusão no território do Campo Grande.
Alguns meses antes, Janaína participou da Jornada Formativa: Formação Básica para Escrita de Projetos, curso realizado pelo Hub Quebrada em Movimento no território do Campo Grande. Com aulas presenciais no seu espaço físico, localizado na Casa dos Anjos, Jardim Liliza. Foram ensinadas ferramentas práticas para tirar ideias do papel, planejamento, organização e execução de propostas para editais. Esta formação conseguiu ajudar a estruturar o seu projeto e foi aprovada no Edital Fundo de Cidadania Ativa, pelo Hub Quebrada em Movimento com a parceira investidora Fundação FEAC.
As aulas do seu projeto de Libras encerradas em setembro, mês com datas de conscientização e orgulho: 23/09 - Dia Internacional das Línguas de Sinais e 26/09 - Dia Nacional dos Surdos. Tendo em mente essas datas, foi muito significativo para todos os alunos e colaboradores, pois não se tratou apenas de uma data para relembrar, foi promovida na prática a inclusão que todos merecem por direito.
Janaína, liderança do projeto, e alunos com os certificados de conclusão das aulas de Libras.
Ocorreram depoimentos de convidados surdos, que relataram suas vivências com as barreiras diárias enfrentadas pela falta de intérpretes em locais públicos e privados, seus desafios de inserção no mercado de trabalho e a felicidade sentida de encontrar pessoas que sabem a língua de sinais, visibilizando a luta por mais dignidade e respeito para a comunidade surda.
Na acessibilidade é falado de rampas, elevadores e tecnologias inclusivas, mas ela também pode se manifestar na impossibilidade de um morador surdo ser compreendido no posto de saúde, na farmácia do bairro, na escola dos filhos ou nos comércios locais. O isolamento linguístico impõe barreiras invisíveis, porém extremamente dolorosas.
Sabendo que o custo de aulas particulares é um fator altamente excludente para a população trabalhadora e periférica, o projeto garantiu um espaço gratuito, acolhedor e de altíssima qualidade técnica e humana para aprender um novo idioma gratuitamente.
O Hub Quebrada em Movimento, apoiando este projeto promoveu a inclusão para a periferia do território. Conectar pessoas, quebrar barreiras e ser a ponte da comunidade é o fator principal que faz o Hub existir e ser um espaço aberto para todos.
Perspectivas da comunicadora do Hub Quebrada em Movimento no acompanhamento da iniciativa
Ter acompanhado de perto o projeto para capturar registros audiovisuais da iniciativa, fez com que eu pudesse estar presente em momentos de aprendizado. Me tornei parte dos alunos na disposição de aprender e querer se aprofundar mais no idioma de libras.
Entendi mais sobre o poder da comunicação, que é feita para aproximar as pessoas e se alguém não está sendo incluído nela perde o propósito verdadeiro. Me fazendo refletir sobre ações do cotidiano que poderiam ser diferentes se todos nós pudéssemos nos comunicar na mesma sintonia.
Helen, assistente de comunicação do Hub Quebrada em Movimento, durante a iniciativa de Libras.
Fui impactada pelo projeto ao ponto de recordar que possuo uma disciplina sobre libras na faculdade e que eu já poderia ter lido, mas deixei para ver depois por não ser obrigatória. Mas porque essa disciplina não era obrigatória igual às outras matérias? Deixei para ler quando tivesse tempo, mas registrando os depoimentos entendi que o tempo é o agora, porque as pessoas que precisam estar incluídas em uma roda de conversa, elas não podem deixar para quando tivermos mais livres para incluí-las.
Entendi que podemos estar abrindo os espaços que gostaríamos que existissem a partir de nós mesmos com a linguagem, visibilizando todos e respeitando suas individualidades, sendo os próprios construtores da ponte para a inclusão.
O Hub Quebrada em Movimento ao apoiar este projeto no território do Campo Grande, possibilitou um impacto de empatia, reflexão e aprendizagem em todos os alunos, colaboradores e a mim, Helen, assistente de comunicação do Hub.